Dita Arantes:
Eu a definiria como uma mulher de mil anos luz, a frente de uma época. Minha professora de português. Ensinava literatura brincando, fazendo teatro. Me lembro das encenações de Gil Vicente, dia 21 de Abril, festas juninas com seus casamentos caipiras, festival da viola e muitos outros eventos, desfile de modas. Eu não tinha o menor jeito para a coisa, pois ria em hora errada, mas ela paciente, ria também.
Com ela adquiri o gosto pela leitura, apesar de ir pelos caminhos das exatas, a Dita me ensinou a ler (No sentido figurado da palavra), pegar em um livro e fazer parte daquela estória, lendo. Saudades! Foi nossa paraninfa da turma de 1974. Tenho até o hoje o livro Pequeno Príncipe, presente de formatura.
Professor Jesu Raimundo de Paula:
Chegou na Prata em meados dos anos 60, fugindo da ditadura militar. Naquela época eu não entendia muito bem o que se passava, a informação não chegava até a população. Meu pai era de extrema direita, amante do regime militar e fazia a nossa cabeça. Classificava-os como comunistas e terroristas. Somente em 1975 quando eu fazia parte do movimento estudantil pela PUC Campinas, vim entender o que se passou com meu querido professor. Nesta época tanto a PUC São Paulo quanto a de Campinas, foram invadidas pelo exercito, a mando do então ditador e Secretário de Segurança de S. Paulo, o maligno, Dr. Erasmo Braga, e vários militantes foram presos e mortos.
Ditadura nunca mais e pela liberdade de expressão sempre! Foram 20 anos roubados, de muito atraso e muita repressão!
Era professor de matemática, com ele herdei o gosto pelas exatas e me formei em matemática no ano de 1976 pela PUC de Campinas.
Professor Keller e Dona Leal Neves keller:
Ele Alemão era professor de latim e inglês, sua pronuncia era um mix de alemão, inglês e português e nunca sabíamos a nota que ele daria nas provas. Segundo o pessoal ela as jogava para cima e as caiam em cima do guarda roupa tiravam dez, para as do chão tinham um sorteio que começavam com 5.
Ela adorável professora de geografia, era capixaba e contava a historia de sua infância.
Professor Vilela:Professor de português e depois passou a fazer parte da direção da escola.
Luzia Cardoso:
Professora de história e apaixonada pela paleontologia, seu filho Max, herdou dela o amor pela paleontologia. Foi Diretora do Colégio, durante o período que eu estudei e me formei no Normal.
Luzia comandou uma passeata contra a ditadura e a policia foi acionada. Quando a policia chegou eles cantaram o hino nacional e ninguem foi preso. O que eu sei é que quem foi na passeata apanhou dos pais. Eu era criança não fui, mas com certeza se tivesse um pouqunho mais de idade estaria no meio.
Cónego José Maria Luz:
Professor de francês e latim, como era bravo! Nós nem piscávamos em sua aula, de tanto medo, ele tinha poderes mediúnicos e fazia hipnotização. A cidade vivia cheia de gente do Brasil todo, atrás de seus poderes de cura, foi afastado pela Igreja Católica, que era intolerante com estas práticas. Era amigo de meu pai gostava de frequentar minha casa, para comer o famoso doce de abóbora, de minha mãe.
Silvia Brazão:
Professora da escola Normal de didática, sorte nossa pois foi a substituta da Dona Terezinha Fadul, uma lenda de brava, se minhas irmãs choravam para dar conta do recado, imagine eu!
Terezinha Fadul:
Foi diretora da escola Cel Neca Lemos e lecionava didática no colegio Normal, ela era bonita e elegante, esta era uma lenda! A cidade dizia que ela era a paixão do Dr. Farid.
Neide de Pádua:
Era professora de ciências, como era difícil tirar nota boa com ela, as suas provas era muito difíceis, ele mudou para Campinas nos anos 70 e veio a falecer de acidente. Éramos vizinhas em Campinas. Seu marido trabalhava no Cartório Elvino Silva Filho.
Professor João Baptista:
Era diretor do Colégio e tinha seus cabelos brancos, ganhou o apelido do Cutandu, apelido carinhoso dado pela nossa turma, que significa algodão doce em Francês (Cotan dulce). Ele ficava no portão da escola olhando o tamanho das saias e eu sempre tinha problemas, com aquela conferência, minha saia era muito curta.
Professor Elias:
Professor da admissão, naquele tempo havia uma preparação para entrar no ginásio, e tinha um livro enorme para estudar e fazer uma prova. Depois aquela tortura acabou e ele virou professor de inglês, mudou-se da Prata e sei muito pouco dele.
Emilia Arantes:
Professora de Moral e cívica, os militares exigiam, assim como Fidel nos tempos de hoje e eramos obrigados a ter aulas de civismo, uma vez por semana havia o hasteamento da bandeira e tinhamos que preparar o discurso para toda a escola e cantávamos o hino nacional. Além dos disfiles do 7 de Setembro, pela ciadade inteira. Apesar do tema ela era adorável.
Meus professores do Grupo (Primário):
Ana Cintra, Zezinho Brazão, Joana Darc Cardoso, Silvia Brazão e a Dona Tereza Nunes.